O encontro estava marcado para as 7h da manhã na praça próxima à estação Grajaú, linha lilás do metrô. Às 6h45, já havia fila para pegar luva, saco reforçado e garrafa de água. Quando o sol apareceu de vez, pouco depois das 8h, a contagem informal da associação de moradores marcava 203 participantes — número que inclui crianças, idosos, estudantes e um grupo de ciclistas que veio do Jardim São Bernardo para ajudar.

O mutirão foi organizado em conjunto pela Associação de Moradores do Grajaú Sul, pelo coletivo Córrego Limpo e por professores da escola estadual da região. A ideia surgiu depois que chuvas de março levaram entulho para dentro de um córrego que corta três quadras residenciais. A prefeitura foi acionada em abril; segundo moradores, a resposta foi um protocolo de atendimento sem data para serviço.

O que foi feito

Os voluntários se dividiram em quatro frentes. A primeira limpou 800 metros de calçada na Rua das Acácias, onde o lixo se acumulava perto de pontos de ônibus. A segunda trabalhou na margem do córrego, retirando plástico, garrafas e móveis descartados irregularmente. A terceira pintou meio-fio e sinalizou árvores recém-plantadas no ano passado. A quarta ficou responsável pela logística: água, lanches e registro fotográfico para enviar à subprefeitura.

Até o meio-dia, os organizadores estimavam que mais de duas toneladas de resíduos tinham sido separadas. O material reciclável foi encaminhado para cooperativa parceira no Campo Limpo; o restante ficou em ponto de coleta agendado com a administração regional para a segunda-feira seguinte.

"A gente não fez porque é bonito. Fez porque o cheiro chegava na janela e a criança não podia brincar na calçada."

Quem estava lá

Entre os participantes estava Dona Creusa, de 67 anos, que mora no Grajaú há 40 anos. Ela nunca tinha ido a um mutirão, mas viu o convite impresso na padaria e decidiu aparecer. "Minha neta desenhou o cartaz na escola", contou. Ao lado dela, o estudante Lucas Ferreira, 16 anos, participava pela terceira vez. "Na primeira vez veio por pontos de trabalho comunitário da escola. Agora venho porque faz diferença", disse.

A presença de famílias inteiras chamou atenção dos organizadores. Crianças de 6 e 7 anos ajudaram a separar latinha com supervisão de adultos. Um grupo de moradores do edifício vizinho ao córrego ofereceu uso do salão de festas para o café da manhã coletivo — pão, fruta e café preparados por voluntários desde a véspera.

O que vem depois

O mutirão não terminou quando os sacos foram empilhados. Na reunião de encerramento, às 13h, a associação apresentou um calendário de ações bimestrais e um canal fixo no WhatsApp para avisar de descarte irregular. Também foi formada uma comissão de cinco moradores para cobrar resposta formal da prefeitura sobre limpeza mecanizada do córrego.

O vereador da região esteve presente por 40 minutos e prometeu intermediar reunião com a secretaria de infraestrutura. Moradores ouvidos pela reportagem foram unânimes em dizer que a visita é bem-vinda, mas que já receberam promessas semelhantes antes. "Queremos data, não foto", resumiu Ana Paula Souza, coordenadora do coletivo Córrego Limpo.

Como participar do próximo mutirão

O próximo encontro está previsto para o segundo sábado de agosto, com foco em mutirão de pintura de faixa de pedestre e revitalização de canteiro na entrada do bairro. Não é necessário inscrição prévia: basta chegar com roupa confortável e calçado fechado. A associação pede que quem puder leve luva extra.

Para enviar denúncia de ponto crítico de lixo no Grajaú ou sugerir outras ações comunitárias, escreva para a redação. Histórias parecidas de iniciativa local aparecem também na cobertura da biblioteca comunitária de sábado e na feira de artesanato da Praça da Sé.